O euro está salvo por enquanto, mas os políticos europeus atiraram as bases da moeda comum europeia pelos costados com seu inédito pacote de socorro. Em longo prazo, os perigos da crise só poderão aumentar, e a inundação de bilhões de euros também poderá causar inflação.
O ataque foi repelido. Os mercados estão pujantes e o euro, em ascensão. O escudo protetor que os políticos europeus ergueram praticamente da noite para o dia para defender sua moeda comum sitiada parece estar funcionando.
Os políticos europeus podem dar um suspiro de alívio - pelo menos por enquanto. Eles só podem relaxar até que fique claro que essa suposta vitória tem um preço amargo. Os governos europeus atiraram pelos costados todos os nobres princípios e as promessas que os cidadãos comuns achavam que os manteriam seguros: as duras bases formais contidas no tratado da introdução do euro e a independência do Banco Central Europeu (BCE).
É claro que eles fizeram tudo isso com a melhor das intenções. O perigo, como eles indicaram, era iminente. Eles quiseram defender o euro contra especuladores, aqueles sinistras poderes anglo-americanos que estavam apenas esperando uma oportunidade para destruir o euro, fazendo um belo lucro nesse processo. Os políticos europeus - pelo menos isto é o que eles querem nos fazer acreditar - estavam agindo em algo que se aproximava de um estado de emergência. Deveríamos acreditar que eles tiveram de evitar um colapso total da moeda comum europeia. Uma situação como essa não é momento para excesso de escrúpulos. Essa, em resumo, é a versão propagandística dos fatos.
A verdade, porém, é um pouco diferente. A situação nos mercados financeiros realmente havia chegado a um ponto crítico na semana passada. O valor do euro tinha caído, os prêmios de risco para títulos do governo de membros da zona do euro do sul da Europa tinham subido e os mercados de ações haviam despencado - tudo isso apesar do fato de os políticos terem concordado com um pacote de socorro para a Grécia no penúltimo fim de semana.